sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cruzeiros na costa brasileira serão monitorados a partir do final deste ano



Com o crescimento de cruzeiros no Brasil, um novo sistema para monitoramento de navios na costa brasileira deve ser criado e começar a funcionar já na próxima temporada de cruzeiros, entre o fim deste ano e o começo de 2013. O projeto vai permitir uma integração entre os órgãos que atuam nesse ramo, como o Ministério do Turismo, a Capitania dos Portos e a Polícia Federal.

De acordo com Ricardo Moesch, diretor de Articulação, Estruturação e Ordenamento Turístico do Ministério do Turismo, o sistema obriga as empresas de cruzeiros a informarem as intenções das rotas e tudo o que acontecer no percurso. “Isso nos dá condições de antecipar eventuais problemas e dá subsídios para outros órgãos como a Anvisa e a Polícia Federal, que também atuam na fiscalização e navios”.

Chamado Torre de Controle, o novo sistema – uma sala de situação que concentrará as informações de todos os transatlânticos que estiverem na costa – permitirá que a escala das embarcações seja programada de acordo com a infraestrutura portuária de cada local a ser visitado. Aprovado na reunião do Grupo de Trabalho de Turismo Náutico (GT Náutico) realizada na semana passada em Brasília, o projeto conta com o apoio da Abremar (Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos).

Moesch explica que o sistema já existe em outros países, mas é inédito no Brasil. Ainda não há uma previsão de quanto ele irá custar.

Atualmente, segundo Moesch, o Ministério do Turismo recebe das empresas uma previsão de escalas e roteiros dos cruzeiros, uma determinação da Lei do Turismo, por meio do decreto 7.381, de dezembro de 2010. “Já recebemos essa previsão, mas com o sistema seremos avisados de toda a movimentação do navio e os outros órgãos saberão de um acidente, por exemplo, imediatamente.”

Número recorde
A aprovação da Torre de Controle ocorre em um momento de crescimento para o setor de cruzeiros no Brasil. O número de pessoas que passarão pela costa brasileira nesta temporada (de 25 de outubro de 2011 até maio de 2012) deve superar 894 mil, ou seja, 11% a mais do que na temporada passada (2010 / 2011) e um recorde para o ramo.

Mas, ao mesmo tempo, o número de navios diminuiu de 20 para 17, o que significa embarcações com maior capacidade ou com lotação máxima. Para órgãos internacionais, como a Marinha francesa, o aumento do tamanho das embarcações dificulta o salvamento da população a bordo em casos de acidente.
Um estudo realizado pelo Instituto Francês do Mar, em 2009, já alertava para a questão. "No caso dos transatlânticos com milhares de passageiros, é impossível determinar e instaurar previamente os meios necessários para o resgate, ainda mais se as condições meteorológicas forem desfavoráveis".

Segundo Eudes Riblier, presidente do instituto, apesar de grandes navios resistirem melhor a colisões contra rochedos, em caso de acidente, principalmente em alto mar, há uma “dificuldade operacional para retirar rapidamente as pessoas e levá-las à terra firme”.

A Marinha brasileira, responsável pela fiscalização dos navios de cruzeiros no Brasil, foi procurada pela reportagem, mas até a publicação desta matéria, não se pronunciou sobre o assunto.

Fiscalizações
Na quinta-feira (19), a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro iniciou uma fiscalização concentrada na costa dos municípios de Angra dos Reis e Parati, ambos no litoral sul do Estado. A intenção é coibir o transporte irregular de passageiros na região e fiscalizar os condutores dos barcos e a situação legal das embarcações.

Segundo a Associação Internacional de Cruzeiros, uma organização consultiva, da qual fazem parte algumas empresas de cruzeiros, os navios devem ter coletes e botes salva-vidas suficientes para todas as pessoas a bordo. A tripulação deve ser treinada para que os botes sejam preenchidos e deixem o navio, se afastando dele, 30 minutos após a ordem do capitão.

Fonte: IG com edições do VN
fonte principal : http://www.viajardenavio.blogspot.com/

Nenhum comentário:

Postar um comentário